16 de agosto de 2022 12:32 PM

Coluna

Porandubas nº 751

Foto: Divulgação
Gaudêncio Torquato

Abro a coluna com Albert Einstein.

Certa vez, Einstein recebeu uma carta da Miss New Orleans (EUA) onde ela dizia: “Prof. Einstein, gostaria de ter um filho com o senhor. A minha justificativa se baseia no fato de que eu, como modelo de beleza, teria um filho com o senhor e, certamente, o garoto teria a minha beleza e a sua inteligência”. Einstein respondeu: “Querida miss New Orleans, o meu receio é que o nosso filho tenha a sua inteligência e a minha beleza”.

Panorama

A III Guerra

Não parece quimera. Basta Putin atacar um país integrado à OTAN para ter uma reação da instituição. Para não ficar desmoralizado, poderia acionar o seu arsenal atômico. E uma reação em cadeia seria a consequência. Claro, essa configuração depende de muitos fatores. Coisa complexa. O fato é que o autocrata Vladimir Putin não esperava reação tão forte da Ucrânia. Censura os meios de comunicação. Os russos imaginam que a “operação especial” na Ucrânia é para livrar aquele país do nazismo. A mentira se propaga. Ora, vejam bem: Zelensky é o único judeu que governa um país da Europa. Desnazificar a Ucrânia….é risível.

Conselheiros

Há um grupo de conselheiros de Putin que caiu no poço da descrença, incluindo o todo poderoso ministro da Defesa, o general Serguei Choigu, que faz muita articulação política, mas não tem experiência no campo de batalha. Os conselheiros do czar diziam que tudo se resolveria rapidamente e de acordo com o planejado. Os russos estão sofrendo e enfrentando muita resistência. Ganharão a guerra porque têm efetivos militares bem superiores aos da Ucrânia. Mas o planejado não está saindo nos conformes. Noutros tempos, esses conselheiros acabariam tremendo de frio na Sibéria.

A cadeia de efeitos

Exportações de fertilizantes sustadas. Brasil sofrerá para suprir as demandas internas. Setembro, mês de plantação, vem aí. A alta do petróleo – podendo chegar aos U$ 120 o barril (brent) – dispara a subida dos preços de alimentos. O exagerado aumento da gasolina pela Petrobras atinge produtores e consumidores de alimentos, impacta a mobilidade urbana e rural, diminui a grana no bolso, produz bolhas de contrariedade. P.S. Os generais da ativa fazem um escudo de proteção ao presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, que, segundo se sabe, apenas endossa a posição do Conselho e cumpre o ajuste da tabela internacional.

Milagre? É possível

Ganhar uma eleição sob esse teto nas alturas é um milagre. O Bolsa Auxílio pagará menos do que aquele adjutório no início da pandemia. As massas pensarão que o governo as engana com o alto preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Mas os subsídios virão.

Lula em dúvida?

Luiz Inácio é cauteloso. Todos sabem que será candidato, mas ele mesmo nunca disse isso. E se perceber que o quadro político se complicará para o PT, com a ausência de grandes coligações e apoios, Lula pode até desistir. Ele precisa ganhar no primeiro turno. Ganhar no segundo turno será difícil. Muito mais. Sua trajetória está em jogo. Se perder, adeus à política.

Eduardo Leite

Segundo diz o próprio Gilberto Kassab a este analista, está tudo certo para que o governador do RS, Eduardo Leite, venha para o PSD, deixando o PSDB. E na mira dele, a candidatura à presidência da Republica. Chapa dos sonhos de Kassab: Eduardo Leite para presidente e Simone Tebet, do MDB, para vice. Simone, no entanto, quer a cabeça de chapa. Mais um problema: os senadores do PSD já estão alinhados à Lula e Bolsonaro.

Poder360

O *Poder360* bateu mais uma vez um recorde de audiência em janeiro de 2022. Os dados são da Comscore (o “padrão ouro” na medição de tráfego na internet). No primeiro mês do ano, a audiência do *Poder* superou a de vários sites de veículos respeitados da mídia tradicional. Segundo Fernando Rodrigues, o competente jornalista que chefia a equipe, “tudo é resultado do bom jornalismo profissional praticado diariamente por uma equipe de aproximadamente 80 profissionais que trabalham no *Poder*”.

Sem máscara

Os Estados estão amainando o uso de máscaras. Alguns permitem tirar a máscara em ambientes abertos e fechados, outros apenas em ambientes abertos. Brasil, Brasil. Não se surpreendam se, daqui a pouco, voltarem a subir os índices da pandemia do coronavírus. Na China, os casos estão aumentando.

Olaf Scholz

O novo chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, não tem o carisma de Angela Merkel, mas é um bom articulador. Tem estado na linha de frente das articulações Rússia/Ucrânia. Scholz é um advogado que já exerceu o cargo de ministro das Finanças, prefeito de Hamburgo, de 2011 a 2018, e vice-líder do seu partido, Partido Social Democrata da Alemanha, de 2009 a 2019.

E a energia, hein?

São Pedro abriu as torneiras e as chuvas torrenciais caem em todo o país. A crise energética não deve ocorrer, pelo menos com a gravidade anunciada em princípios do ano. Os reservatórios estão com índices razoáveis.

E o PL, hein?

Com a última operação da PF nos terrenos do PL, um grupo de deputados dispostos a entrar no partido de Valdemar da Costa Neto já não exibe tanto entusiasmo para nele ingressar. Valdemar está com receio de perder o mando em sua sigla, que fez história nos tempos do embaixador Álvaro Vale. A abertura do programa do PL com o “Coro dos Escravos Hebreus”, do terceiro ato da ópera Nabucco (1842) de Giuseppe Verdi, era um show.

O troca-troca

A mudança de partido levará em conta os recursos destinados a cada ente. O fundão de quase R$ 5 bilhões é o alvo de todos.

Golpe? O Brasil é outro

Um golpe militar em tempos atuais é algo praticamente impossível. Não haveria apoio militar. O mundo mudou. É mais interdependente. As Forças Armadas, em seu conjunto, estão profissionalizadas. Fariam continência a Lula, se este ganhasse. Mas a ignorância teima em aparecer na desinformação. Dá conta de um eventual golpe de Bolsonaro, com apoio militar, caso perca a eleição. Os tempos são outros. E as urnas eletrônicas, como ferramenta da ilegalidade, só mesmo na cabeça de incréus e radicais apaixonados.

Um pouco de história: Sócrates

De corpo franzino e tido como muito feio, Sócrates aceitou de bom humor participar da simulação de um concurso de beleza com seu amigo Critóbulus; era uma brincadeira, com um júri falso. Sócrates tinha certeza de que, por meio da argumentação, conseguiria vencer o amigo:

– Sócrates: “O que é beleza?”

– Critóbulus: “São as coisas boas e belas que são bem-feitas para cumprir respectivas funções para as quais nós as obtemos ou as coisas bem constituídas para servir às nossas necessidades.”

Sócrates jogou o anzol e pegou o amigo com a técnica de deixar que o interlocutor discorra para extrair as consequências.

– Sócrates: “Tu sabes a razão por que necessitamos de olhos?”

– Critóbulus: “Ora, obviamente para ver.”

– Sócrates: “Nesse caso, parece que meus olhos, sem qualquer esforço de argumentação, são melhores do que os teus.”

– Critóbulus: “Como assim?”

– Sócrates: “Porque enquanto os teus só veem o que está na frente, os meus, esbugalhados como são, veem também o que está dos lados.”

– Critóbulus: “Quer dizer que um caranguejo está muito bem equipado visualmente, mais do que qualquer outra criatura?”

– Sócrates: Exatamente.

– Critóbulus: “Bem que seja assim, mas de quem é o melhor nariz, o teu ou o meu?”

– Sócrates: “O meu, acho, considerando-se que a Providência fez nossos narizes para cheirar. Pois tuas narinas olham em direção ao chão, enquanto as minhas estão bem abertas e voltadas para fora, de modo que posso captar aromas de todos os lados.”

– Critóbulus: “Mas como tu achas possível que um nariz achatado como o teu seja mais bonito que o meu, que é reto?”

– Sócrates: “Pelo fato de não produzir nenhuma barreira entre os olhos, permitindo a eles uma visão desobstruída para que vejam o que querem, enquanto teu nariz reto e afilado, como que para compensar, separa, como uma barreira, um olho do outro.”

– Critóbulus: “Já no que diz respeito à boca, até faço uma concessão. Pois se ela foi criada para morder os alimentos, então a tua pode abocanhar muito mais do que a minha pode. E tu não achas que o teu beijo é também mais doce porque os teus lábios são grossos?”

– Sócrates: “Pois não é? Mas, de acordo com os argumentos, parece que minha boca é mais feia do que a de um asno.”

– Critóbulus: “É impossível continuar argumentando contigo. Vamos aos votos.”

Mesmo com a lógica de Sócrates, os jurados de mentirinha, com pena de Critóbulus, concederam-lhe a vitória.

Política e teatro

O discurso estético tem muito a ver com os recursos teatrais. Com efeito, a teatralização é imanente à política. Os atores políticos contemporâneos procuram aperfeiçoar sua performance com recursos técnicos da mídia eletrônica e do teatro. O ex-ditador de Uganda, o cabo Idi Amin Dada, dizia conversar com Deus tantas vezes quanto necessário. Hitler treinava a voz e os gestos. Mussolini, com sua voz de bronze e máscara imperial, espelhava-se em D’Annunzio, guerreiro-tribuno. A história antiga é cheia de exemplos que mostram os governantes posando de ator, alguns com feições de comediantes, outros encarnando o perfil de estadistas. Luis XIV fazia exibição de danças. O marechal Pétain tomava aulas de dicção para diminuir a timidez. O próprio De Gaulle dizia que “os maiores medem cuidadosamente as suas intervenções, fazendo delas uma arte”. Valéry Giscard d’Estaing, o chefe de Estado francês, tocava acordeon nas praças de Paris. Fernando Collor usou um traje de piloto para fazer uma viagem à Amazônia.

O vedetismo

O vedetismo do poder pode ser explicado pela psicologia. As pessoas percebem no ator político estados e situações afetivas que lhe são próprias. Identificam-se com ele. E se satisfazem. Trata-se do fenômeno de autovalorização por meio de um herói interposto. Freud também explica: “a maioria das pessoas experimenta a imperiosa necessidade de admirar uma autoridade, perante a qual possa inclinar-se e pela qual seja dominada e por vezes maltratada”.

Os três maiores oradores

Os três maiores oradores da Antiguidade foram: o general Péricles; o tribuno Cícero, mais conhecido pelas Catilinárias; e aquele que é considerado o maior de todos, Demóstenes. Uma figura curiosa. Gago e com muita vontade de superar deficiências. Construiu um lugar para estudo numa caverna, onde ia diariamente treinar oratória e exercitar a voz. Lá permanecia, por vezes por dois ou três meses sem interrupção, raspando o cabelo de metade da cabeça, para que, por vergonha, não conseguisse aparecer em público e se afastar da caverna. Um determinado.

Fecho a coluna com mais uma história de padre.

O bom senso

Uma historinha de Zé Abelha, o nosso contador de causos de Minas. No auge da discussão nacional sobre a lei do divórcio, o então bispo auxiliar de Belo Horizonte, D. Serafim Fernandes de Araújo, reitor da Universidade Católica de Minas Gerais, democrata, liberal, torcedor roxo do Galo, o Clube Atlético Mineiro, foi entrevistado:

– O senhor não acha que o bom senso evitaria muitos divórcios?

– Acho sim, meu filho, e muitos casamentos também.