27 de maio de 2022 8:16 AM

Coluna

Porandubas nº 758

Foto:
Gaudêncio Torquato

Brevíssimas…

Por aqui…

– O presidente Jair continua apostando em intensa polarização da campanha eleitoral. Ele será responsável pela expressão radical de um lado. Vai dominar as redes sociais, onde Lula não é muito requisitado.

– Artigo de Élio Gaspari na FSP, com muita repercussão, diz que o presidente ensaia um golpe, sendo a noite do dia 2 de outubro, uma espécie de prazo fatal para um movimento golpista, caso Bolsonaro perca as eleições.

– Tenho dito e repetido, o fator determinante para a vitória ou derrota do presidente será a equação BO+BA+CO+CA= Bolso, Barriga, Coração, Cabeça. Dinheiro no bolso significa geladeira cheia, barriga satisfeita, coração (agradecido ou enfurecido), cabeça disposta a eleger ou a mandar o governante para casa.

– Lula terá palanques múltiplos em alguns Estados. Mais do que terá Bolsonaro.

– Alckmin, pasmem, está tentando se localizar na esquerda. Teve, até, de cantar o hino da Internacional Socialista no evento do PSB que emplacou seu nome como vice de Lula.

– A propósito, respondendo a uma consulta da Coluna, Gilberto Kassab ouve os presidentes do PSD nos Estados, mas adianta que a tendência é a de liberar as bancadas. Eis o que levantou Kassab até o momento:

RJ: candidatura própria (se não tiver, liberar).

BA: coligação com Lula.

AP: candidatura própria (se não tiver, liberar).

PR: candidatura própria (se não tiver, liberar).

RS: candidatura própria (se não tiver, liberar).

AM: coligação com Lula.

PA: candidatura própria (se não tiver, liberar)

– O Instituto Paraná Pesquisas acaba de fazer sua pesquisa periódica em SP. Murilo Hidalgo manda para a coluna:

Fernando Haddad, PT; 29,7%; Márcio França, PSB, 18,6% e Tarcísio de Freitas, Republicanos, 15,2%; nenhum, branco/nulo, 19,3%. Muito difícil para o ex-ministro de Bolsonaro ganhar em São Paulo. Já Marcio França tem chances se for ao 2º turno.

– PSDB é um partido que terá de renascer das cinzas de seus rachas internos.

–  Tendência de renovação da Câmara, na eleição de outubro, sinaliza mais de 50% do atual corpo parlamentar.

– As manifestações de 1º de maio estiveram bem abaixo das expectativas. Para os dois lados: de Bolsonaro e Lula.

– Lula, em um evento em Brasília, disse que Bolsonaro “não gosta de gente, só gosta de polícia”. Cometeu a gafe e se desculpou junto aos policiais, acrescentando que queria dizer “só gosta de milícia”. E de gafe em gafe, os governantes vão pavimentando sua estrada.

– O pêndulo eleitoral vai ser alvo de especulação até as margens do pleito. Dados e relatos verdadeiros e falsos confundirão o sistema cognitivo nacional.

– Interessante nessa campanha: grupos familiares repartindo-se para os dois lados, situação e oposição.

– Bolsonaro usa bem a mídia: faz manchetes com suas tiradas radicais.

– A última: o presidente brasileiro, que não foi convidado mais uma vez ( 3ª vez) a participar do G7, sugeriu ao embaixador da Turquia uma comitiva de chanceleres de alguns países, Brasil na frente, para visitar Putin, em Moscou, e articular com ele o final da guerra na Ucrânia.( O Itamaraty ficou calado ante tal disparate.)

– Por que Elon Musk comprou o Twitter? Resposta: para encher mais ainda o bolso. Não tem compromisso com ética e moral.

– Mesmo que tenha perdido dinheiro com a baixa nas ações da Tesla, por causa da compra do Twitter, Musk olha para o império do amanhã, as tecnologias avançando, 5G chegando, sob a certeza de que o domínio e o poder dependerão, cada vez mais, do mando sobre as telecomunicações.

– O interessante em Musk é que ele já tirou a máscara: vai permitir que a mentira se faça presente em sua rede tecnológica, ao lado de fatos. Basta que os dólares entrem em seus cofres.

– A guerra na Ucrânia trará necessariamente uma nova ordem internacional. Com o ressurgimento de sinais dos tempos da guerra fria.

– Jornalistas amigos de Vladimir Putin, que conhecem sua alma, dizem com todas as letras: o ex-agente da KGB não sairá derrotado. É capaz, para amaciar seu ego, de utilizar o arsenal nuclear da Rússia. E apertar um botão para destruir Berlim, Viena, Paris, enfim, para acionar os mecanismos de uma 3ª guerra mundial.

– Este analista, em 50 anos de atividade, considera que avançamos, de maneira açodada, em direção ao caos.

– A China sinaliza que fecha posição com a Rússia. E ataca o Ocidente.

– A China voltou a ver a Covid-19 baixar nas grandes cidades, como Xangai e Pequim, com muita força.

– Putin estuda com seus generais a melhor alternativa para conter o envio de armas para a Ucrânia pelos países da OTAN. Nada mais óbvio: por meio do ataque balístico. Não se trata de exagero.

–  Os bilionários russos começam a sofrer grandes perdas. E acusam Putin. Que está lhes dando uma banana.

– O chanceler russo, Lavrov, com sua bola fora: Hitler tinha sangue judeu. Israel protesta. E o mundo, em pasmo, indaga: não há mais vergonha, dever, direito à verdade nessa Torre de Babel? (P.S. Zelensky, o presidente ucraniano, é judeu).

– Joe Biden começa a impor seu estilo de enfrentamento. Já mandou montanhas de dinheiro e armas para a Ucrânia. E sempre disposto a mandar mais. Pediu ao Congresso a aprovação de mais 30 bilhões de dólares para mandar aos ucranianos.

– Trump no olho do furacão: em um livro que acaba de sair, seu ex-secretário de Defesa, diz que ele sugeriu aos policiais atirar na perna dos participantes de um evento antirracista.

– O ex-presidente continua mantendo estreita articulação com os republicanos. Poderá voltar à Casa Branca em 2024.

–  A Alemanha e seu dilema: mandou armas para a Ucrânia. Mas continua a comprar o gás da Rússia. Que, agora, paga em rublos. Outros países da OTAN enfrentam o mesmo dilema.

– A França de Macron se prepara para um novo período, sob a égide de um governante mais experiente e com vontade de endurecer em algumas áreas.

– A Venezuela saiu do mapa mundi? Ou mesmo do mapa latino-americano? Maduro passou a ser verde em matéria de afastamento midiático.

– Amigos que chegam da Europa estão assombrados com o mal conceito do Brasil nos últimos tempos.

– Em Lisboa, brasileiros invadem praças, museus e restaurantes. Portugal fica ali na esquina. Vai e vem.

E na esfera das ideias?

Tratemos, na coluna, de um tema muito sensível aos candidatos: rejeição.

– Rejeição a candidato é coisa séria. Não se apaga um índice de rejeição da noite para o dia. O maior adversário de certos candidatos é uma rejeição em torno de 30% a 40% dos eleitores.

– Os nossos dois principais candidatos estão com altos índices de rejeição, na margem dos 50%. Um perigo.

– Em um colégio eleitoral de 35 milhões de eleitores, como é o caso do estado de São Paulo, uma rejeição maior que 30% é uma montanha difícil de escalar. Trata-se de uma barreira que pode derrubar qualquer candidato, principalmente se este for ao segundo turno de uma campanha majoritária.

– Quando um candidato registra um índice de rejeição maior que a taxa de intenção de voto, é bom começar a providenciar a ambulância para entrar na UTI eleitoral. Caso contrário, morrerá logo nas primeiras semanas do segundo turno.

– A rejeição deve ser convenientemente analisada. Trata-se de uma predisposição negativa que o eleitor adquire e conserva em relação a determinados perfis. Para compreendê-la melhor, há de se verificar a intensidade da rejeição dentro da fisiologia de consciência do eleitorado.

– O processo de conscientização leva em consideração um estado de vigília do córtex cerebral, comandado pelo centro regulador da base do cérebro e, ainda, a presença de um conjunto de lembranças (engramas) ligadas à sensibilidade e integradas à imagem do nosso corpo (imagem do Eu) e lembranças perpetuamente evocadas por nossas sensações atuais. Ou seja, a equação aceitação/rejeição se fundamenta na reação emotiva de interesse/desinteresse, simpatia/antipatia. Pavlov se referia a isso como reflexo de orientação.

– A intensidade da rejeição varia de candidato para candidato. Paulo Maluf era (e ainda é) um perfil  que sempre teve altos índices de rejeição. Passou a administrar o fenômeno depois de muito esforço. Mudou comportamentos e atitudes. Tornou-se menos arrogante, o nariz levemente arrebitado desceu para uma posição de humildade e começou a conversar humildemente com todos, apesar de não ter conseguido alterar aquela antipática entonação de voz anasalada.

– Orestes Quércia era outro. Que tinha a rejeição inscrita na testa.

– Os erros e as rejeições dos adversários também contribuíram para atenuar a predisposição negativa contra ele. Purgou-se, também, pelos pecados mortais dos outros. Maluf aprendeu bem a arte de engolir sapos.

– Em regiões administradas pela velha política, a rejeição a determinados candidatos se soma à antipatia ao familismo e ao grupismo. O eleitor quer se libertar das candidaturas impostas ou hereditárias. Mas não se pense que o caciquismo se restringe a grupos familiares. Certos perfis, mesmo não integrantes de grandes famílias políticas, passam a imagem de antipatia, seja pela arrogância pessoal, seja pelo estilo de fazer política ou pelo oportunismo que sua candidatura sugere. Em quase todas as regiões do país, há altos índices de rejeição, comprovando que os eleitores, cada vez mais racionais e críticos, querem passar uma borracha nos domínios perpetuados.

– A rejeição pode ser diminuída quando o candidato, indo a fundo nas causas profundas que maltratam a candidatura, enfrenta o problema sem tergiversação nem firulas. Pesquisas qualitativas, com representantes de todas as classes sociais, indicam as causas. Aparecerão questões de variados tipos: atitudes pessoais, jeito de encarar o eleitor, oportunismo, egomarketing. mandonismo familiar, valores como orgulho, vaidade, arrogância, desleixo nas conversas, cooptação pelo poder econômico, história política negativa, envolvimento em escândalos, ausência de boas propostas, descompromisso com as demandas da sociedade.

– Para enfrentar alguns desses problemas, o candidato há de comer muita grama. Não se equaciona a rejeição de modo abrupto. Ao contrário, quando o candidato demonstra muita pressa para diminuir a rejeição, essa atitude é percebida pelo conjunto de eleitores mais críticos, que é exatamente o grupamento mais afeito à rejeição. E aí ocorre um bumerangue, ou seja, a ação se volta contra o próprio candidato, aumentando ainda mais a predisposição negativa contra ele.

– Trabalhar com a verdade, eis aí um ponto-chave para começar a administrar a taxa de rejeição. O eleitor distingue factoides de fatos políticos, boas intenções de más intenções, propostas sérias de ideias enganosas. O candidato há de montar no cavalo de sua identidade, melhorando as habilidades e procurando atenuar os pontos negativos. É errado querer mudar de imagem por completo, passar uma borracha no passado e cosmetizar em demasia o presente. Mas é também grave erro persistir nos velhos hábitos. Mudar na medida do equilíbrio. Mudar sem riscos.

– Todo cuidado com mudanças constantes e bruscas, de acordo com a sabedoria da velha lição: não ganha força a planta frequentemente transplantada.