1 de julho de 2022 1:56 PM

Saúde

Vendas do kit covid caem até 80% em Roraima apesar do avanço da ômicron

Foto: Divulgação
Conselho Federal de Farmácia relaciona queda de interesse por Ivermectina e Cloroquina a combate a desinformação e aumento da cobertura vacinal. Venda de azitromicina ainda preocupa
Catarina Loiola

As vendas de medicamentos do Kit Covid registraram queda nas farmácias de Roraima, em novembro e dezembro de 2021 e janeiro de 2022, em comparação com igual período de 2020/2021. A redução mais significativa ocorreu na distribuição varejista da Ivermectina, com baixa de 80% nas vendas no intervalo analisado. O resultado é ainda mais expressivo quando comparado ao crescimento de 2.069% nas vendas do medicamento no fim do primeiro ano da pandemia e início do segundo, em comparação com iguais períodos anteriores, ou seja, novembro e dezembro de 2019 e janeiro de 2020. 

Outro medicamento do kit Covid que teve redução na procura foi a hidroxicloroquina, com diminuição de 6% de vendas entre novembro de 2021 e janeiro deste ano, em comparação com igual período de 2020/2021. Foi a menor redução em todo o país. Os dados são do Conselho Federal de Farmácia, em parceria com a consultoria IQVIA, e consideram o número de unidades de medicamentos comercializadas pelo varejo farmacêutico (farmácias privadas).

O farmacêutico Adônis Motta Cavalcante, conselheiro federal por Roraima, analisa que a baixa na venda dos medicamentos é proveniente do combate à fake news. “Pelo que observamos, a ciência está vencendo a desinformação relacionada à saúde do país. Neste sentido, contam muito os resultados pós-vacinação, como a queda nas taxas de mortalidade, e as sucessivas manifestações das sociedades científicas a favor da medicina baseada em evidências”, explica. 

Segundo Adônis Motta, os patamares de vendas atingidos durante a pandemia para a distribuição de cloroquina e ivermectina são inéditos na história farmacêutica. “No caso da cloroquina, antes da pandemia, as vendas variaram cerca de 10% entre 2018 e 2019, enquanto depois do novo coronavírus, entre 2020 e 2021, aumentou 120%. Então, embora a tendência para os próximos anos seja de declínio, ainda há interesse pelos medicamentos”, afirma o conselheiro. 

Apesar da queda na procura pela cloroquina e ivermectina, houve aumento de 7% nas vendas da azitromicina em Roraima, entre novembro de 2021 e janeiro deste ano. Em nível nacional, o número de vendas do medicamento subiu 50%. Para Adônis Motta, o crescimento na procura pelo remédio se conecta ao uso para algumas complicações da Covid-19 e também nos casos de Influenza H3N2. ”A alta na incidência de casos das duas doenças no período e as características de manifestação respiratória, podem ter justificado em parte esse crescimento. Porém, no caso da Covid-19, sem prescrição médica, o medicamento pode representar risco, principalmente nas faixas etárias mais avançadas. Isso sem falar no agravamento de uma outra ‘pandemia’ que é a da resistência bacteriana. Prescrições não indicadas e automedicação, apesar da necessidade de retenção da receita, certamente deixarão um grave ônus para o mundo após essa emergência de saúde pública”, avalia o farmacêutico.

Em relação ao período pré-pandemia, mais que triplicou o número de isolados de bactérias resistentes a antibióticos enviados por laboratórios de saúde pública de diversos estados do país ao Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). O laboratório atua como retaguarda da Sub-rede Analítica de Resistência Microbiana em Serviços de Saúde (Sub-rede RM), instituída pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde (MS). Em 2019, foram pouco mais de mil. Em 2020, o número passou para quase 2 mil, e em 2021, apenas no período de janeiro a outubro, o índice ultrapassa 3,7 mil amostras confirmadas, um aumento de mais de três vezes em relação a 2019. “O uso indiscriminado de antibióticos certamente contribui para agravar esse quadro e a consequência mais grave é o esgotamento do arsenal terapêutico”, alerta o conselheiro Adônis Motta.

 

Nível nacional

 

As vendas da ivermectina caíram 61% em todo o Brasil, em novembro e dezembro de 2021 e janeiro de 2022, em comparação com igual período de 2020/2021. No mesmo período, a distribuição por varejo da cloroquina caiu 42%. Mas, por outro lado, aumentaram em 50% as vendas da azitromicina. 

 

Para saber mais acesse os dados na íntegra: 

Unidades de remédios que foram vendidas:  https://docs.google.com/spreadsheets/d/1vXTR-7bF3IH3yDfJMGAZt6QT03s7O1zo/edit?usp=sharing&ouid=109019447848001102568&rtpof=true&sd=true

Dados resumidos por medicamento: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1cg9rnoeQhvKh3VqZkGGZsRC3WwsV-BI_/edit?usp=sharing&ouid=109019447848001102568&rtpof=true&sd=true

Release:

https://docs.google.com/document/d/1bGsCp24EiQ4gUqlDwIXU5OeOZUvhQ7ZbDwy25j8ffnc/edit?usp=sharing