A proposta de redução da escala de trabalho no Brasil não atende às necessidades do país e pode trazer impactos negativos para o setor produtivo. A avaliação é de Fabiano Roberto Matos do Vale Filho, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Tocantins (FACIET) e empresário, proprietário da Fabiano Parafusos.
Fabiano afirma que a jornada atual é suficiente para garantir equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. “Eu acredito que no Brasil não tem essa necessidade. As 44 horas semanais dão para se conciliar um bom trabalho, uma boa remuneração”, afirmou. Para ele, o foco do debate deveria ser o aumento da renda. “O que para a gente precisa estudar é uma maneira de ter um salário mínimo maior, de ter condições do empresário poder pagar mais para o seu colaborador”.
Segundo o presidente da FACIET, isso passa pela redução da carga tributária. “Devem ser construídas situações para que o empresariado pague menos impostos e repasse isso para o colaborador”, diz.
Ao falar sobre os impactos no próprio negócio, Fabiano destacou a importância do funcionamento aos sábados. “A gente tem uma clientela que compra aos sábados”, enfatiza. “Com essa carga diminuindo, nós não vamos ter horário no sábado. Não sei como é que eu vou fazer”, reforça.
Fabiano alerta ainda para os efeitos no comércio de rua. “O trabalho online vem cada vez aumentando e matando o comércio de rua, o comércio do dia a dia”, ressalta. Diante desse cenário, ele avalia que a medida pode comprometer pequenos negócios. “Vai ser muito difícil. Pode acontecer de quebrar muita pequena empresa”.
Para o presidente da FACIET, o debate deve envolver empresários e trabalhadores. “Tem que ser construído uma situação que você envolve o micro e o pequeno empresário junto com o colaborador e faça uma coisa boa que fique bom para os dois”, conclui.